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Você sabe o que é luto não reconhecido? Luto de fim relacionamento é um deles

Você sabe o que é luto não reconhecido? Luto de fim relacionamento é um deles

Por Cristiane Assumpção
Psicóloga Clínica – CRP 08/25978

Quando você conheceu a pessoa por quem se encantou e se apaixonou, provavelmente não imaginava o quanto sofreria. Infelizmente não podemos prever que a felicidade será eterna e nem que seremos correspondidos como desejamos.

Um relacionamento envolve emoções, companheirismo, amor, conquistas, conversas, objetivos compartilhados. E vários são os motivos que justificam o final de um relacionamento: falta de dinheiro, dificuldade na comunicação, agressão física e verbal, traição, um novo amor, chegada dos filhos, estar com alguém, mas se sentir sozinho, a falta do cuidado, da intimidade, entre outros.

Alguns tentam investir na relação, mas não tem sucesso, outros preferem manter as aparências e permanecer em um relacionamento ‘pobre’, com uma convivência destrutiva pelo medo do desconhecido.

E quando todo o laço afetivo se desfaz e ocorre a separação – O que acontece? Ficam as marcas da rejeição, angústia, humilhação, dor e frustração por não ‘reconhecer’ a pessoa com a qual se conviveu. O quanto conheciam um ao outro e depois perceber que essa afinidade já não existe mais. Causando grande sofrimento e desamparo a pessoa ‘abandonada’. Muito comum frases do tipo: “Como pode fazer isso comigo”, “Não foi com esse homem ou mulher que me casei”. Essa situação independe do tempo e do tipo de relação, se era um namoro, noivado ou casamento.

Quando alguém diz chega em um relacionamento é um luto extremamente difícil. Pois quando a relação é interrompida por morte, quem ficou, recebe acolhimento. Mas em situações de término de relacionamento, isso geralmente não acontece, impossibilitando que essa pessoa elabore o luto de maneira adequada. A pessoa abandonada sofre por essa dor e não encontra espaço para expressar seus sentimentos, o que chamamos de luto não reconhecido. O luto não reconhecido ocorre em situações nas quais o contexto social e o enlutado não reconhece a legitimidade da relação existente.

Ocorre um luto pela ‘posição perdida’, quando a pessoa sai da sua vida deixa um lugar vazio. O que realizavam juntos: passeios, conversas, chegar em casa e saber que a pessoa estava lá, deixa de existir. Algo extremamente delicado, pois a pessoa era importante e você também gostaria do mesmo reconhecimento.

E agora, o que fazer? Cuidar-se!

O mais importante no final de uma relação é vivenciar essa dor, chorar, sentir saudade, vai perceber dificuldades para se concentrar em atividades diárias e se questionar: “Será que alguém vai me amar como ele ou ela me amava?”, “Será que vou conseguir passar por este sofrimento”. Todos esses sentimentos são reações comuns e pertinentes neste período.

E no momento que você reconhecer o que está vivenciando e se permitir passar por todo esse processo doloroso, o medo dessa nova vida e as angústias vão passar. Em meio a este caos parece impossível pensar desta forma, mas a vida poderá ter um novo significado. E possibilidades novas poderão surgir: um novo emprego, mudança no visual, uma viagem, trocar de carro, investir na educação dos filhos, um investimento pessoal.

Por outro lado, algumas pessoas estão tão fragilizadas que evitam novos relacionamentos, outras não conseguem tirar o outro da sua vida, pois monitoram a vida do ex por meio de amigos, familiares, redes sociais, como forma de preencher uma lacuna de um relacionamento que já não existe mais. De certa maneira, alimentam uma situação desnecessária, se desgastando emocionalmente, ficam voltadas apenas para essa perda.

Se você perceber que o tempo passou e a dor está mais intensa, pensamentos de baixa autoestima, ideações suicidas e identifica dificuldades que impedem o retorno para atividades cotidianas é fundamental procurar ajuda.
Entender que é um momento delicado na sua vida e que muitas vezes as pessoas sofrem caladas com a separação durante anos, impossibilitando de seguir em frente com seus projetos. Mas é possível lidar com essa perda e assumir novos papéis. E uma das formas é você pensar, sentir e falar da sua dor dentro do espaço terapêutico, poder lidar com esse turbilhão de sentimentos.

Apesar da dor, ela poderá ser transformadora em sua vida, mesmo no término de relacionamento poderá ser libertador, conforme você vai lidar com essas emoções.

Viver esse luto, mesmo que não seja reconhecido, mas ser reconhecido por você. E no espaço terapêutico essa dor é reconhecida, valorizada e trabalhada para construir novas possibilidades.


*Luto não reconhecido: Classificado na literatura entre perdas não reconhecias pela sociedade ou mesmo pelo enlutado. Exemplos: separação nas relações amorosas, perda gestacional e neonatal, perda do emprego, chegada da aposentadoria, perda do animal de estimação…

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