Como lidar com as crianças que perdem alguém próximo da sua família?

Todos os seres humanos vivem o luto. E o que é o luto? O luto é um processo interno de acolher e achar um bom lugar para a finalização de algo, quando acaba algo. Quando estamos falando da morte de alguém, “a vida se encerrou”, mas a vida de todas as outras pessoas que estão à volta, continua. Mas como dá lugar para a finalização dessa vida e a continuidade da vida dessas pessoas que permaneceram?

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A gente tem que separar o luto de pesar. O que é pesar? O pesar é o sentimento que você tem, se morrer um bichinho de estimação ou alguém da família, a criança vai ter um pesar, vai ter um sentimento. Agora o luto é um processo e para a criança é muito mais rápido. Por que que a criança às vezes resisti para dormir? Porque dormir é uma entrega para o inusitado, para um mistério, é algo que a gente não sabe exatamente o que vai acontecer. E a criança vive muito o momento, ela não está preocupada com as próximas horas, ou com o dia de amanhã.

Por isso a criança está muito mais aberta para finalizar um processo e começar algo novo que é o processo do luto. Tem criança que não apresenta sintomas e lida com a situação de uma forma natural. As crianças que apresentam sintomas bem como a agressividade, ou uma tristeza profunda que pode até virar uma depressão, ela está muito ligada a relação dos adultos com o tema da morte. Portanto, muitas vezes a criança apresenta sintomas que não são delas, são sintomas do sistema, do pai, da mãe, da família. A criança é muito perceptível e está ligada muito ao pai e a mãe ou aos familiares mais próximos. Então a raiva e a tristeza que não foram expressadas pela mãe, a criança expressa por ela.

Por isso, é muito importante não mentir para essas crianças, elas merecem a verdade, claro que falar de uma forma adequada conforme a idade de cada uma. Não esconder o sentimento, o pai e a mãe têm que falar que estão tristes, que estão com raiva, esses sentimentos são genuínos não existem sentimentos bons ou ruins, pois expressam uma necessidade do momento.

Quando ocorre o luto da perda de um pai ou de uma mãe para uma criança, ou mesmo de uma separação – considerado uma outra forma de luto, é importante que os tutores – avós, tios, ou até mesmo o Estado tenham profissionais como apoio para conduzir esse processo. Lembrar que o pai e a mãe já estão dentro dessa criança, porque se for imaginarmos que 50% somos nosso pai e 50% somos nossa mãe, eles estão dentro da gente, na nossa constituição, podemos dar sentido às crianças falando sobre isso, que o pai e a mãe vivem dentro da gente.

Portanto, você começa a ressignificar um processo que é muito doído, os rituais são muito importantes, velório e a despedida. Uma criança que tem uma reação agressiva quando perde o pai ou a mãe, ela tem que tem um lugar seguro para poder expressar a raiva dela, porque é um sentimento genuíno.

Acho necessário nós nos educarmos o tempo todo para a morte, todos nós, adultos e crianças. Se a gente não educa as crianças, é porque não temos para dar. A gente só ensina o que a gente é. E podemos viver no dia-dia, no ciclo da vida, das plantas, dos bichinhos de estimação e dos seres humanos que fazem parte disso tudo.

Todos os seres vivos vão morrer, não tem nem um ser no mundo que vive eternamente. Eu sabendo que vou morrer posso viver bem, viver o presente, dar um sentido para a minha vida. A morte traz algo que é bom, faz com que eu viva de uma forma positiva, faz com que eu faça planos, que eu tenha uma boa vida, para ter uma boa morte. Isso é educação, é saber que um dia todos nós vamos morrer. É ter a consciência que eu posso deixar um legado, uma história, deixando um espaço para as próximas gerações, pensando que a morte é um ciclo natural, que uns vão e outros permanecem. Portanto a busca de um profissional é muito importante para a criança enlutada, muitas vezes o adulto que está com ela, certamente não vai saber conduzir esse processo.

É muito importante viver o luto, e quando ele não é vivido pode se apresentar de outras formas, bem como de a pessoa não viver sua própria vida, algumas coisas acabam não fluindo porque ainda fica identificado naquele tema que ela não quis lidar lá atrás.

 

Escrito por Marita Vargas Ilário, Pedagoga, Educadora Emocional Sistêmica e Consteladora Familiar. Atendimento terapêutico Educacional de crianças, jovens e adultos.


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