Sepultamento em tempos de Covid-19 muda os rituais da última despedida

Sepultamento em tempos de Covid-19 muda os rituais da última despedida

O Brasil passa dos 2 milhões de casos confirmados e mais de 76 mil mortes por covid-19. Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS já são quase 600 mil mortes em todo mundo. Apesar de milhares de pessoas curadas a realidade é que muitas famílias irão ter que lidar com uma morte em casa. E como se não bastasse, o cuidado é necessário até na despedida do ente querido, pois o vírus pode ser transmitido mesmo com a pessoa morta. E por este motivo a OMS teve que estabelecer alguns protocolos de proteção. A famílias se viram obrigadas a passar pelo processo de morte e luto de um ente querido à distância. Sem velórios, caixões lacrados, os sepultamentos estão tendo participação de familiares por meio de chamadas de vídeo, ou videoconferências pela internet. Algumas pessoas até compreendem, mesmo que sofram com as mudanças, mas têm os que não conseguem entender essa situação.

De acordo com pesquisas com especialistas do luto, os rituais são muito importantes para o processo da despedida, serão os últimos momentos da família com o falecido, é um momento afetivo em que as pessoas irão expressar suas emoções, o momento de acolhimento e conforto. A estudante Isabela Vieira de Curitiba perdeu sua avó para a covid-19, um pouco mais de uma semana. Ela comenta que a dor é dobrada “Perdi minha avó, não pude vê-la pela última vez, não pude tocá-la, não pude me despedir dignamente, isso para mim será para sempre muito marcante”, diz.

Embora esse cenário seja uma realidade muito triste, infelizmente fará parte no processo de despedida na vida de algumas pessoas em tempos de pandemia. No entanto, é importante pensar em alternativas e adaptações para que não afete a saúde mental destas pessoas. O agente funerário da empresa Catedral de Curitiba Carlos Garcia da Costa conta que as pessoas ficam um pouco assustadas sem entender muita coisa na hora de sepultar o ente querido.  “Alguns a gente percebe que estão ali no sepultamento, mas que não caiu a ficha para eles. Porque sepultar direto se torna bem mais difícil. Em outros casos já dá para perceber que a família fica mais aliviada pelo sofrimento vivido do parente falecido”, comenta.

Em junho a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou um projeto de lei que permite a inclusão de visores em caixões de pessoas que morrem com covid-19 para que o rosto da pessoa falecida possa ser visto durante o sepultamento. Porém o projeto está com o governador do estado Wilson Witzel onde vai decidir se sanciona ou veta a proposta. Caso seja sancionada as concessionárias do setor funerário serão autorizadas a utilizar sacos translúcidos para guardar o corpo das vítimas permitindo a identificação do corpo.

Luto complicado

No momento não há saída, não há alternativas que amenizem a dor de quem enfrenta um luto interrompido. Processos de lutos graves acometem cerca de 8 a 12% da população em geral. A covid-19 pode aumentar cerca de até 30% os casos graves de pessoas enlutadas vivendo com sofrimento, ansiedade e depressão. Desta forma, todas as perspectivas apontam para caminhos emocionalmente negativos e preocupantes relacionados à saúde mental dos que cuidam e dos que sobrevivem à perda.

Velórios e sepultamentos

Cemitério Vaticano de Almirante Tamandaré, Paraná. Foto: Eduardo Matysiak

Para os óbitos  diagnosticados com covid-19 ou suspeita, os sepultamentos estão ocorrendo de forma direta, sem velório. Os óbitos que estão ocorrendo de outras doenças ou de acidentes, o velório ocorre com medidas restritivas, de acordo com decretos municipais, porém, na maioria deles, as funerárias tem que seguir um protocolo parecido bem como com a presença de até 10 pessoas, não pode ter aglomeração, as salas tem que estar bem arejadas, alcool em gel à vontade. Limite de duração dos velórios, de até tres horas. 

 

 


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